O Dia do Grande Arrastão
- Rodrigo Guerra

- há 19 horas
- 2 min de leitura
Mateus 13:47-50
O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está cheio, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e as ruínas deitam fora.
Jesus encerra o Seu discurso por parábolas em Mateus 13 com uma imagem familiar para os Seus discípulos, muitos dos quais eram pescadores. A Parábola da Rede é a conclusão lógica de todas as anteriores: se o Reino cresce (Mostarda), influencia (Fermento) e é valioso (Tesouro), ele também possui um momento de prestação de contas (Rede). O Dia do Grande Arrastão.
1. A Rede de Arrastão (Sagēnē)
Diferente das pequenas redes de arremesso, a sagēnē era uma rede imensa, puxada por barcos ou cavalos, que coletava tudo o que encontrava.
A Universalidade do Chamado: O Reino de Deus, em sua fase terrena, atrai uma multidão mista. Pessoas de todos os tipos e intenções são "apanhadas" pela mensagem do Evangelho. Isso explica por que, na história da Igreja, sempre vemos beleza e podridão coexistindo.
2. O Mar e a Praia: O Tempo e a Eternidade
A parábola divide-se em dois cenários:
O Mar: Representa o mundo e o tempo da Graça. No mar, não há separação visível. Os peixes nadam juntos. É o tempo da paciência de Deus.
A Praia: Representa o eschaton, o fim dos tempos. É o momento da "parada obrigatória". Ninguém escapa do arrastão da história.
3. O Processo de Triagem
Jesus descreve os pescadores sentados na praia, separando os peixes. No contexto judaico, "peixes ruins" seriam aqueles sem escamas ou barbatanas (imundos segundo a Lei).
Teologia do Julgamento: A separação não é arbitrária, ela é baseada em critérios divinos. Não basta estar "na rede" (na Igreja ou na religião). É necessário ter a "anatomia" de um cidadão do Reino. A separação final é feita por anjos (v. 49), garantindo que nenhum erro de julgamento humano interfira na justiça de Deus.
4. O Destino dos "Peixes Ruins"
Jesus usa uma linguagem solene: a fornalha de fogo e o ranger de dentes.
Aviso Pastoral: Esta não é uma mensagem de exclusão odiosa, mas de aviso amoroso. Jesus está dizendo: "Não se contente apenas em estar na rede; certifique-se de que a sua natureza foi mudada".
Conclusão
A Parábola da Rede nos lembra que o Reino de Deus não é um clube social sem consequências. Existe um propósito e existe um destino. Enquanto estamos no "mar", há tempo para o arrependimento e para a transformação da nossa natureza. Que possamos viver com a consciência da praia, sabendo que o Pescador de almas busca peixes que reflitam a Sua glória.









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