De que vale o seu "Amém" se não houver ação?
- Rodrigo Guerra

- há 19 horas
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Mateus 21:28-32
E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.
Inserida num contexto de controvérsia sobre a autoridade de Jesus, a Parábola dos Dois Filhos é um espelho para a alma religiosa. Jesus utiliza esta narrativa para confrontar os principais sacerdotes e anciãos do povo, revelando que a verdadeira espiritualidade é medida pelo fruto da obediência, e não pela correção do discurso. De que vale o seu "Amém" se não houver ação?
1. O Primeiro Filho: A Cortesia Estéril
O segundo filho responde prontamente: "Sim, senhor, eu vou", mas não vai.
A Religião das Aparências: Este filho representa a elite religiosa. Eles tinham a liturgia, o vocabulário e a aparência de servos, mas faltava-lhes a submissão real. É o perigo do "sim" automático que nunca se converte em suor na vinha do Senhor.
2. O Segundo Filho: O Arrependimento que Transforma
Este filho responde com rebeldia inicial: "Não quero". Contudo, o texto diz que ele "depois, arrependido, foi".
O termo grego para arrependimento aqui (metamelētheis) sugere uma mudança de sentimento que leva a uma mudança de curso. Ele representa os marginalizados da época (publicanos e meretrizes) que, embora tivessem uma vida de "não" para Deus, ao ouvirem a mensagem de João Batista, mudaram de direção.
3. A Pergunta de Jesus: Quem fez a vontade?
Jesus força os Seus ouvintes a darem o veredito. A vontade do Pai não foi feita por quem disse que faria, mas por quem efetivamente fez.
Teologia da Prática: No Reino de Deus, a intenção não substitui a ação. Deus prefere a honestidade de um pecador que se arrepende à hipocrisia de um santo que não se move.
4. A Precedência no Reino
A declaração final de Jesus é escandalosa para os seus contemporâneos: os "pecadores declarados" precedem os religiosos no Reino. Por quê? Porque os primeiros creram e mudaram, enquanto os segundos viram o poder de Deus e permaneceram na sua autossuficiência.
Conclusão
A Parábola dos Dois Filhos ensina-nos que o Evangelho é uma convocação para a vinha, não para o auditório. Deus não está à procura de secretários que anotem as Suas ordens, mas de filhos que as executem. Que a nossa vida hoje seja um "sim" silencioso e operante, em vez de um "amém" barulhento e vazio.









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