Da Escravidão à Adoção
- Rodrigo Guerra

- 5 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de jan.
Romanos 8:15 "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, em temor, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai."
O capítulo 8 da Epístola aos Romanos é considerado por muitos teólogos o "Everest" das Escrituras. Após tratar da luta contra o pecado e da incapacidade da Lei em salvar o homem, Paulo nos apresenta a vida no Espírito. No versículo 15, encontramos a chave para a nossa saúde emocional e espiritual: a transição de um status de escravos para o status de filhos adotivos.
1. O Contraste de Espíritos: Escravidão vs. Adoção
Paulo utiliza um contraste jurídico e existencial.
O Espírito de Escravidão: Refere-se à mentalidade da antiga aliança quando vivida apenas sob a letra da Lei. O escravo vive sob o temor (medo do castigo, da rejeição, de não ser "bom o suficiente"). A religiosidade baseada na performance gera um espírito de escravidão.
O Espírito de Adoção: Aqui, Paulo usa o termo grego Huiothesia. No contexto romano, a adoção era um ato jurídico poderoso. Um filho adotado tinha todas as suas dívidas passadas canceladas e recebia, legalmente, o nome e a herança do pai, tornando-se herdeiro de pleno direito.
Ponto Teológico: A nossa filiação não é "natural", é uma escolha soberana de Deus. Fomos inseridos na família de Deus por um decreto da Sua graça.
2. "Aba, Pai": A Linguagem da Intimidade
A expressão "Aba, Pai" combina o aramaico (Abba) com o grego (Pater).
Abba: Era a palavra terna que as crianças usavam no lar. Não era uma expressão formal, mas sim cheia de confiança e carinho (semelhante ao nosso "papai" ou "meu pai").
Por que os dois idiomas? A repetição "Aba, Pai" enfatiza que, seja para o judeu ou para o gentio, Deus agora é acessível.
Insight: Jesus usou essa mesma expressão no Getsêmani (Marcos 14:36). Quando o Espírito Santo nos faz clamar "Aba, Pai", Ele está nos dando a mesma linguagem de intimidade que o próprio Cristo possui com o Pai.
3. O Fim do Medo (O Testemunho do Espírito)
O texto diz que não recebemos o espírito para vivermos "outra vez, em temor". O medo é o combustível da religião legalista. A certeza da adoção é o combustível da fé cristã.
O escravo obedece para ser aceito.
O filho obedece porque já foi aceito.
Teologicamente, isso nos ensina que a segurança da nossa salvação não repousa na nossa capacidade de não errar, mas na fidelidade de Quem nos adotou.
4. Aplicação Prática: Vivendo como Herdeiro
Como esse estudo muda a nossa segunda-feira?
Cura da Autoimagem: Se Deus é seu Aba, sua identidade não é definida pelos seus erros passados ou pelas opiniões alheias.
Ousadia na Oração: Você não precisa de rituais complexos para falar com Deus. Um filho tem livre acesso ao escritório do pai.
Vencendo a Ansiedade: Um pai provê. Se você foi adotado pelo Dono do universo, o medo do amanhã perde o sentido.
Conclusão
Romanos 8:15 é um convite para abandonarmos as algemas do medo religioso e assumirmos o nosso lugar à mesa. Você não é um servo que presta contas a um senhor distante; você é um filho amado que desfruta da presença de um Pai perfeito.
Oração: "Pai, obrigado por me tirar da escravidão do medo e me dar o privilégio de Te chamar de Aba. Que o Teu Espírito confirme hoje no meu coração que eu sou Teu e que nada pode me separar do Teu amor. Em Nome de Jesus, Amém."
"Gostou deste estudo? Compartilhe com alguém que ainda vive preso ao medo e precisa conhecer a liberdade de ser filho de Deus!"









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